domingo, 27 de dezembro de 2009

Não desista...

Uma das palavras do dicionário que mais me assusta é a desistência, do verbo desistir, não insistir, abster-se, não querer continuar...
No mundo em que vivemos procuramos sempre o mais fácil, procuramos as pessoas mais fáceis, as palavras mais fáceis e procuramos o tempo todo, não termos trabalho com nada nem com ninguém.
Porque desistir é fácil, é barbada, e hoje em dia, temos tantas desculpas esfarrapada pra dar, que desistir se tornou mais fácil ainda...
É muito prático não procurarmos mais aqueles amigos chatos, que só reclamam da vida, ou que estão sempre doentes, ou mesmo aqueles que estão doentes de verdade. É muito fácil trocarmos de emprego, trocar o curso da faculdade, não almoçarmos mais com a família, não ir à igreja, não ajudar a comunidade e nos trancarmos no nosso ridículo casulo.
Sim, porque o nosso casulo é ridículo, é egoísta, é egocêntrico, é anti-social, ele não é nada bom, mas é fácil.
É mais fácil ficarmos sozinhos, pois assim não precisamos argumentar sobre nossas idéias, cansamos menos se não temos que conviver com as diferenças e é mais prático não termos que rir das piadas sem graça, mesmo que isso seja engraçado...
Preferimos o isolamento ao caos, preferimos desistir de aprender inglês, matemática, de passar na federal, de morar no exterior, porque alguém, algum dia na nossa vida, nos fez acreditar que desistir era a melhor solução. E naquele instante era... Mas depois sempre colhemos o que plantamos, ficamos velhos tendo que aprender inglês, com uma turma de 12, temos que ir para o exterior apenas como turistas, temos que pagar um Jaguar para os reitores da PUC, pois é... Porque desistir é melhor...
Mas a pior desistência e a que mais me preocupa é a desistência das pessoas, do ser humano, das amizades e da própria família. Fico tão triste quando vejo as pessoas saindo à francesa e isso que somos brasileiros.
O problema é que aprendemos o ruim tão rápido, aprendemos a não nos envolver com os problemas dos outros.
Não queremos pessoas que são cabeça dura, não queremos aqueles que carregam uma caixa de alfinetes no bolso, não queremos os reclamões.
Nós preferimos pessoas falsas, é melhor, é melhor estarmos com quem finge ser o que não é... E pior, fingem gostar de estar com a gente...
E às vezes os chatos apreciam muito mais a nossa amizade do que aqueles que estão sempre sorrindo pra nós...
Tive uma criação baseada na insistência, já nasci tendo que insistir pra nascer, minha mãe teve um problema na gravidez e tive que não desistir e insistir pra Deus, pra ficar...
E cá estou, sempre insistindo nas pessoas, nos meus sonhos, nas minhas maluquices, nas minhas amizades, nos meus ideais, não desisto nunca, não desisto de mudar os outros, o mundo, minha vida, a vida do carteiro, não desisto das minhas crenças, mas também não desisto de me mudar, faço isso o tempo inteirinho, se aquela crença não serve mais, não desisto, coloco fora mesmo, mesmo que pareça contraditório, mas não é...
E eu gostaria muito de que ninguém desistisse de nada, muito menos de alguém, aprenda a rir e a lidar com cada um e com cada situação.
O negócio é este, já que todos preferem falar em negócios hoje em dia, negocie com você mesmo, aprenda que desistir é fácil, mas não agrega absolutamente NADA. O que agrega é conviver com as diferenças, é saber que o mais legal é ser diferente, é aprender com o próximo.
Não desista de querer que o mundo seja melhor, mais leve, livre e solto... Não desista de você mesmo, não desista dos seus sonhos.
Se quiser ser cantor, SEJA! Se quiser ser o presidente da república, SEJA! Se quiser ser hippie, SEJA! Mas seja FELIZ! Pois é somente isso que levamos daqui, a nossa felicidade, a nossa felicidade por não termos desistido de nada daquilo que acreditávamos.
E não confunda felicidade com desistência, pra mim, por exemplo, fico muito mais feliz, num ambiente onde todo mundo está doente e onde posso ajudá-los, do que numa festa onde todos sorriem superficialmente pra mim.
Não deixe com que os frustrados façam com que você desista das pessoas, dos seus objetivos, das suas viajadas na maionese e você também não desista dos frustrados, ajude-os a ver que o mundo não é tão ruim assim e que ainda há tempo de mudar, mesmo que eles digam e repitam: já fiz isso e não deu certo. E não deve ter dado mesmo, porque eles não insistiram com tanta fé e desistiram sem se dar conta, porque a desistência, vem deste a época de Adão e Eva e com ela vem a frustração impregnada na veia daqueles que não insistem nas coisas...
Não desista e seja feliz, porque esta é a recompensa de quem insiste na vida!

Desejo a todos um 2010 sem desistências e que desejo sempre apenas saúde, porque com ela, tudo fica barbada!

Mil beijos no coração.
Manu

domingo, 6 de dezembro de 2009

Meu amigo Zé

Hoje resolvi escrever um meio artigo, um artigo sem formalidades...
Talvez porque eu esteja num momento da vida mais culto, onde quero dar uma gás no meu livro e onde quero me preparar para novos capítulos...
Por sinal, viciei nos três pontinhos, no fim das frases... hehehe... dá a impressão de aquela minha citação pode ter uma cotinuidade.
Bom, voltando ao raciocínio inicial, lembrei de dois testes admissionais que fiz nos últimos tempos, não que eu esteja fazendo um admissional, mas que me lembraram histórias surreais.
Vou chamar este texto de "O Meu Amigo Zé", então vamos lá...
Estou sempre em busca de uma comunicação eficaz, busco sempre, com as pessoas que convivo, manter uma troca de informações transparente e benéfica a todos os lados, não tenho receio em falar o que penso e pode parecer que não penso, mas tenho a plena noção de tudo que sai da minha boca ou de tudo que falo com os olhos.
A partir disso, viro uma chata, porque exijo isso dos outros também, mas a verdade e o desejo não são recíprocos e então eu me frustro. Mas tudo bem, sigo batalhando para um dia ter no mundo, literalmente e na prática também, um fluxo de comunicação bem legal, onde todo mundo consiga dialogar sem medo, onde as pessoas não tenham vergonha de expor o que sentem, o que pensam e o que pretendem em relação a si e ao mundo.
Bom, lincando, este contexto ao mundo real, trago o meu amigo Zé, aquele que num exame admissional pegou a minha mão e disse que tudo ia dar certo. Pois é... pensando eu com os meus botões, num momento filosófico, lembrei de dois exames admissionais que fiz e que parecem seguir o mesmo manual, sim, aquele manual que estou para empresariar há tempos, onde muitos "psicoescritores"* ainda ão de escrever. *Psicoescritores são pessoas comuns que se acham sábias de tudo, conhecedoras de todas as vivencias que a vida nem nos trouxe ainda. Num desses exames o médico me perguntou: você está grávida? E eu pensei: não, acho que não, espero que não?! Mas que vontade de dizer: simmm, estou! E super feliz! Não pelo filho, mas por mostrar que para pergunta idiota a tolerância é menos 5. O outro me perguntou: você tem alguma psicopatia? Ai foi que eu pensei, hoje vou trazer a tona meu grande e velho amigo, Zé. E então naquela sala, fria, sem decor nenhuma, onde estávamos apenas eu e o médico, olhei para o lado e perguntei: Zé diz aí para o doutor, sou louca ou não sou? Ai o médico me olhou, com aquela cara de eu não sei, mas tenho que dizer que sei o que está acontecendo, e não disse mais nada, e eu aproveitei e apresentei o Zé para o médico trabalhista, "doutor, este é o meu amigo Zé", ele me acompanha há anos e sempre teve curiosidade para saber como era um exame admissional, então resolvi trazê-lo para esta experiência maravilhosa. E o silêncio se manteve na boca do médico... Pois naquela hora o meu amigo Zé era quem mais falava... Por fim, vou admitir que esta história não é totalmente verídica, mas podia ser, se eu fosse um pouco mais corajosa e não tivesse o que perder... Mas o médico perguntou sim, se eu tinha alguma psicopatia e eu mais um vez, respondi, bem desmotivada com a situação, que não, que eu não tinha nada. E assim se formam e se vão as histórias, bizarras, inacreditáveis e com falha na comunicação, porque sim, muitos psicopatas afirmam não ter nada e são contratados pelas grandes empresas.

Boa noite.
Manô